Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011

Moro num país tropical

Aqui o «vosso» Mestre vai relatar-vos um pequeno episódio do seu (dele) (meu) passado. (lol). Concluí o Ensino Secundário em 1985 e decidi nessa altura que precisava de começar a trabalhar para poder sustentar um dos meus maiores vícios desse tempo: Os discos de vinil. Inscrevi-me no Centro de Emprego da Amadora e, passadas algumas semanas, recebi uma carta do mesmo solicitando a minha comparência no Centro de Formação Profissional da Indústria do Vestuário do Sul que ficava na Rua Prof. Reynaldo dos Santos em Benfica. Dirigi-me ao dito Centro e marcaram uma entrevista de grupo para daí a umas semanas. Chegou o ansiado dia da entrevista e marcaram-nos testes psicotécnicos para daí a mais umas semanas. Os testes psicotécnicos foram complementados com mais uma marcação para daí a algumas semanas. Desta feita foram os exames médicos. Terminados os exames às nossas patologias fomos confrontados com mais uma marcação para daí a mais algumas semanas: Um exame informal de Português para avaliar a nossa capacidade de escrita. Foi este o discurso resumido do Avaliador no dia do exame:

- Bom dia. Quero dar os parabéns a todos os presentes por terem conseguido superar todo este processo de selecção. Temos apenas cinco vagas para o curso que vocês pretendem. O teste de Português que vocês vão realizar pretende ser a última etapa em todo este processo. O teste é livre. Vocês podem escrever tudo o que vos vier à cabeça. Mas não façam como um candidato que aqui há alguns tempos apenas escreveu no teste: "Moro num país tropical".

(risos gerais)

Eu também não pude deixar de rir perante tal situação. Tantas etapas superadas acabaram numa tremenda inglória para o "amante dos trópicos". Foi então que se fez luz nos meus «miolos». Sem exagero algum, aquele Centro de Formação andou a «empatar-nos» cerca de meio ano com tretas burocráticas envolvendo um processo de selecção extremamente vergonhoso. Não foi à toa que o «tropicaliente» escreveu aquilo. O meu imaginário idealizou-o, de imediato, como o maior herói de todos os tempos. O meu subconsciente entrou imediatamente em acção:

«TAMBÉM MORO NUM PAÍS TROPICAL»

Saí da sala com as pernas bambas de raiva mas nunca me arrependi do acto:))))))))))))

21 comentários:

Catarina disse...

Grande "Mestre"! Aprovo! : )

Nina disse...

Ideologias e coragem que só a tenra idade permite.:)

AC disse...

Moro num país do terceiro mundo...melhor ainda... onde ninguém respeita os outros e onde o mundo é dos espertos:)

Mancebo Artista disse...

Muito bom! ;)

Teófilo Silva disse...

Eu gostei do comentário da AC.

Quando li o título do post pensei que ia ler uma estória parecida com a do Raul Solnado: Quando me formei com a 4ª Classe...

Mas dou-lhe os parabéns porque a sua estória não fica atrás.
Muito bom texto.

Abraço

Tio do Algarve disse...

Muito Bem! Eu também moro num país tropical...

Maria disse...

Ahmm, grande atitude.
Não é um país tropical mas tem tudo para ser, tirando o calor, o resto mora cá.

estrela disse...

assim é que é sem medos!!
gostei desta tua experiencia no mundo da selecção dos trabalhadores!
acho incrivel as pessoas não escolherem com o curriculo, a entrevista e pouco mais!
deve ser para dizer que têm muito trabalho!!!

Gasper disse...

Ahah Mestre, foi de valor ;)

Estudante disse...

Ahaha boa! Acho que fizeste muito bem ;)

Janita disse...

Ahhh...Grande, grande Mestre!

Agora, foi definitivo e seguríssimo...fiquei tua fã para o resto da minha vida, faças tu o que fizeres daqui prá frente!

Agora diz-me lá: um País Tropical não é muito melhor do que a Mongólia? :))))

Toma lá um grande abraço.
Janita

Rosa dos Ventos disse...

Boa ensinadela! :-))
Felizmente que se encontra sempre gente capaz de não alinhar em "histórias da carochinha"!

Carolina Tavares disse...

Eu moro em um país tropical e apoio a tua atitude, penso que isto não se faz, é falta de respeito para com ser humano. A muito de semelhante nos processos seletivos, sem que haja intervenção de órgãos que zelem pela saúde do trabalhador, e pelo sofrimento físico-emocional que estes estão suscetíveis.

edumanes disse...

Eu diria que vivemos num país desgovernado.
Tantas exigência para dizer que não haviam vagar.
Justificam-se apenas os grandes ordenados que a maioria dos políticos recebem provenientes dos assaltos que fazem aos bolsos dos contribuinte mais pobres.
Sim porque dos mais ricos eles tem medo de assaltar, porque esses têm armas sofisticadas para se defenderem.

Bom fim de semana, no "país do ladroagem".

Um abraço
Eduardo.

Susi disse...

Foste um ganda patrão pah! Assim é que é!

Orquídea Selvagem disse...

Oh Mestre!!!
Tanto esforço para morrer na praia...
É o que eu digo sempre: "a malta é nova... não pensa..."
hehehe

Conheço uma história passada,não num exame de Português mas num exame de História. Um aluno, que por acaso era meu irmão, não se tinha preparado e não sabia fazer nada! Ainda perguntou ao professor se podia sair mas foi-lhe negado o pedido. Ora regulamentos são regulamentos... e ele para vencer o tédio escreveu umas quadras. As duas primeiras eram assim:
«Provas de exame...
Nem o diabo as quer!
Só o homem coitado
A elas se tem de submeter.

Prova de História é esta
Que a fazer me propuz
Não guardo nada na testa,
Vou ter um resultado de truz.»

(...)


Beijinhos tropicais... e Bom Fim de Semana :)

Malena disse...

Chama-se a isso ter tomates, carago!!! E não digo a minha expressão favorita... Parvo, pá! :)))) Mostraste "espinha"!

▒▓█► JOTA ENE disse...

ººº
Bela narração ...!

Abraço!

mfc disse...

Acho que foi a resposta... necessária!

Teófilo Silva disse...

Eu também merecia viver num país tropical.

Bom Domingo

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Por mim, estava aprovado!